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[RESENHA] Filhos de Virtude e Vingança [Livro #2]



Olá, leitores!

Páginas: 422 | Autora: Tomi Adeyemi | Editora: Rocco | Ano: 2020 | Gênero: Fantasia, Young Adult | Tradução: Petê Rissatti | Classificação indicativa: +14

*Pode conter spoilers de Filhos de Sangue e Osso.
Veja a resenha de Filhos de Sangue e Osso AQUI.

O Legado de Orisha foi uma trilogia que começou muito bem e já conquistou inúmeros leitores. A proposta trazendo uma fantasia com elementos da cultura iorubá, e uma protagonista forte lutando contra um sistema opressor foi o suficiente para também chamar minha atenção. O segundo volume era um dos que eu mais estava aguardando, já que o final do anterior deixou pontas soltas.

O objetivo inicial de Zélie era a volta da magia e isso enfim aconteceu no desfecho de Filhos de Sangue e Osso. Outros eventos marcantes ocorreram, e eu esperava que eles fossem explicados nessa sequência. No prosseguimento da história, Amari, vista como a única herdeira do trono remanescente de Orisha, pretende reivindicar seu lugar e em seguida unificar os povos para que não haja mais opressão.

Esse plano é o que inicialmente temos contato, mas tudo muda quando acontecimentos inesperados ocorrem. No reino, há uma resistência formada por divinais, agora com seus poderes despertos, mas de algum modo, outras pessoas foram agraciadas com esses dons no processo de despertar a magia.

Nossa paz parece tão frágil quanto vidro, mas não posso mais me esquivar da verdade. Os maji foram silenciados por muito tempo. Se eu não falar por eles, quem falará?

O que era algo destinado apenas para os maji, agora também foi distribuído para o lado oposto. Enquanto isso, ainda há uma rivalidade constante. Onde no livro anterior, o rei era a maior ameaça e também o causador da perda da magia, nesse volume sua esposa, também mãe de Amari e Inan, é uma ameaça presente.


A sensação de que algo pode dar errado para Zélie, Amari e os divinais é sentida desde o primeiro momento neste livro. Sempre há uma ameaça a ser lidada e a perda de cada vez mais divinais, é inevitável. O que faz a tensão ficar ainda mais evidente é os dois lados estarem dispostos a enfrentar uma possível guerra. Apesar de claramente ter outros meios de tudo se resolver, os personagens não facilitam em nenhum momento.

Muitos pontos me incomodaram neste livro, mesmo conseguindo entender as motivações dos personagens. Zélie teve tantas perdas que seu único estímulo agora é acabar com o lado rival através da guerra, enquanto para o lado oposto há uma contradição em que caminho seguir.

Esse desacordo entre eles acaba prejudicando o rumo em que os eventos irão acontecer, consequentemente trazendo um resultado catastrófico advindo dessas decisões. Para mim, seria bem mais fácil ambas as partes sentarem para uma conversa e entender que o ódio não irá levar ninguém para frente.

Orisha não espera por ninguém.

Contudo, esse é justamente o ponto que a autora quis frisar. Com tanto ódio envolvido, todas as partes continuam vulneráveis e impulsivas, gerando uma teia de eventualidades desastrosas. Como ficará um povo que foi odiado e caçado por tanto tempo? A luta dos divinais por conseguir seu direito em Orisha sempre foi dura, portanto lutar pela liberdade é o que se espera.

Mas o que acontece quando o outro lado não cede e continua obcecado pela sua própria verdade, sem uma possibilidade de arrependimento? É tão doloroso imaginar quanto acompanhar o desdobramento desses acontecimentos.

O primeiro volume é uma corrida para o resgate de uma parte essencial dos divinais, que é a magia. Entretanto, a verdadeira magia nos é mostrada neste volume. Nele, podemos vislumbrar de forma ampla como é a magia para eles, seus costumes, assim como a representação de cada deus.

Ainda sobre os personagens, enquanto novos nomes ganham destaque na história, senti que infelizmente houveram personagens que no livro anterior tiveram uma boa apresentação, mas quase não aparecem neste livro. As relações entre eles também são mais estreitas, de forma que fica difícil saber o que esperar do próximo livro.

A leitura me proporcionou momentos de raiva, e outros de contemplação. Sempre admiro a forma como a autora resgata mais e mais do iorubá, e ainda trás uma leitura viciante. Sua escrita continua maravilhosa e o livro tem uma carga política maior. Não foi meu favorito até agora, mas ainda tenho curiosidade de como essa história irá terminar.



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13 comentários:

  1. Oi, Leyanne
    Eu fujo um pouco de livros que me deixam com raiva, são sentimentos que não me atraem em uma leitura, porém eu ainda quero conhecer essa série, mais porque tem outras culturas em xeque, protagonismo negro, tudo o que eu preciso em uma fantasia. Espero gostar!
    Beijo
    https://capitulotreze.com.br/

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    1. hahahaha, eu tento fugir, mas sou sempre atraída por livros assim.

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  2. Oi, Leyanne! Tudo bom?
    Depois de ler sobre os absurdos da editora pressionando a Tomi e não dando tempo pra ela trabalhar direito no livro, eu meio que perdoo os problemas desse livro (e da história, num geral, porque ela é toda bem apressada). É uma pena por causa do potencial, mas é uma pena maior pela pressão de TER QUE LANÇAR que impediu ela de trabalhar melhor nos desenvolvimentos :/

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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    1. Mas gente, eu não sabia disso :( , com certeza é um absurdo e espero que ela não sofra o mesmo com o próximo.

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  3. Olá,
    Quero muito conhecer essa trilogia, apesar das ressalvas sobre esse volume.
    As questões e universo abordado parecem incríveis.
    E as capas são lindas.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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    1. O universo é totalmente cativante, e concordo quanto as edições.

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  4. Eu li o primeiro livro e achei incrível como a autora aborda a cultura no meio de uma narrativa fantástica. Esse ainda não li, mas parece ótimo também, apesar da falta de alguns personagens...

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. O primeiro livro é uma obra maravilhosa.

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  5. Olá, Leyanne.
    A sua não é a primeira resenha que vejo falando dos problemas desse segundo livro. Que pena porque o primeiro foi tão bom e eu estava cheia de expectativas para esse. Ainda quero ler, mas vou aguardar uma boa promoção do ebook. O primeiro comprei por 12 reais hehe.

    Prefácio

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  6. Oi, Leyanne. Como vai? Me parece uma obra única e bastante peculiar, não é mesmo? Sua resenha ficou ótima e as fotos também. Adorei. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  7. Eu tô me coçando para não quebrar a promessa de não comprar livros novos e correr atrás desse lindos. Estou apaixonada na capa deles e sua resenha me deixa ainda mais empolgada para conferir a trama. Que bom que, apesar das ressalvas, a história não se perdeu e ainda tem mais coisa para acontecer. Espero que ela se mantenha amarradinha e tenha um final satisfatório.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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    1. Super recomendo a leitura e espero que consiga adquirir quando puder <3

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