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[RESENHA] Nascido do Crime

 


Olá leitores!


Páginas: 318 | Autor: Trevor Noah | Editora: Verus | Ano: 2020 | Gênero: Drama, Comédia, Biografia | Tradução: Fernando de Castro Daniel


Trevor Noah é um comediante de origem sul-africana, e atualmente faz bastante sucesso por também apresentar um programa chamado The Daily Show. Ao escolher esse livro para ler, uma das coisas que me chamaram atenção foi a vivência do autor e por ter fortes críticas contra o racismo. Até então, eu não sabia quem era Trevor Noah.


Conheci o autor através dessas páginas, que se trata de uma biografia, da qual conta grande parte de sua infância na África do Sul. Ele é mestiço, filho de uma mulher negra e um homem branco. Trevor nasceu em tempos de Apartheid, que foi um regime implantado na Africa do Sul anos atrás e onde a simples interação romântica entre pessoas de raças diferentes era um ato criminoso.


O triunfo da democracia contra o apartheid é, muitas vezes, chamado de Revolução Sem Sangue. Ficou conhecido assim porque quase não houve sangue branco derramado. Já o sangue negro corria pelas ruas.


O início já mostra uma breve noção de como será o restante da leitura. Com relatos extremamente engraçados e também trágicos, o livro transcorre de maneira leve em alguns momentos e mais cruéis em outros . A mãe de Trevor é uma figura bem presente desde o início da história. Percebi que há um companheirismo enorme ali, assim como as lições entre mãe e filho serem algo importante para Trevor.


As situações envolvendo a mãe de Trevor ocupam boa parte da história, mas de modo algum se torna algo chato ou estranho. Ela tem um papel importante em seu crescimento, sendo a pessoa mais próxima do autor durante sua infância. A história dela também é relatada e não é bonita. A mãe de Trevor, Patricia, sofreu efeitos do Apartheid, da pobreza, do racismo e da violência doméstica.




A genialidade do apartheid foi convencer a grande maioria da população de que as pessoas eram inimigas umas das outras. 'Separados pelo ódio' era a ideia por trás desse regime. Basta segregar as pessoas em grupos e fazê-las se odiar para tornar possível o controle de todos.


A participação de Patricia no livro deixa a história mais completa e fácil de visualizar a realidade de uma mulher negra que pode representar várias outras. Eu nunca havia parado para ler os efeitos do Apartheid, e esse acontecimento foi a vivência de muitas pessoas, portanto saber de algumas consequências disso na história, me fez querer saber mais e mais sobre tudo isso.


Foi, no mínimo, chocante. O que para mim parece absurdo, era algo normal há alguns anos atrás para algumas pessoas. A segregação era um dos principais aspectos do Apertheid, junto com diversas outras questões problemáticas. Como uma pessoa mestiça, Trevor cresceu com a questão de não se ver encaixado em algum lugar por parte da sociedade.


Os momentos que passei apreciando essa leitura me ensinaram muito mais do que imaginei, e ainda desfrutei de ótimas risadas com essa história. Não posso deixar de passar a admirar o autor pela sua vida, trajetória, forma de escrita e pelo que é. Enquanto lia o livro, pesquisei mais sobre ele porque a história realmente me instigou a fazer isso.


O racismo existe. Pessoas são feridas, e só porque não está acontecendo com você não significa que não esteja acontecendo.


A leitura é surpreendentemente fluida e rápida. Como não costumo ler biografias frequentemente, a rapidez da leitura me surpreendeu positivamente. O autor insere um toque de humor nas páginas que não dá para ler sem soltar risada. Tudo no livro acabou me cativando e terminei ele com o coração cheio de emoção.


Assim como teve momentos alegres e engraçados, houveram outros que me fizeram fechar o livro e respirar fundo por não conseguir crer nos relatos. É terrivelmente vívido e cruel alguns trechos, como a violência doméstica sofrida pela mãe de Trevor. A intervenção de autoridades é nula em alguns casos e é imensamente triste quando até mesmo aqueles que são instruídos a proteger, acabam fazendo o contrário.


As últimas páginas desse livro, para mim, foi passada com um aperto no peito de quem torce para que dê tudo certo. Creio que esse relato seja apenas um de tantos outros que precisam de voz diante de situações horrendas do tipo. O  racismo ainda é presente, por mais que muitos não vejam. E isso é algo que precisa ser urgentemente erradicado.


Esse livro transmite uma mensagem linda de esperança, companheirismo, amor e força. Foi uma leitura que me trouxe diversos sentimentos e pude rir e chorar por sentir a intensidade da história, portanto é uma leitura que recomendo.



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13 comentários:

  1. Oi Leyanne, tudo bem?
    Esse é um gênero que não costumo ler, especialmente quando não conheço a pessoa sobre a qual o livro fala. Mas a temática desse livro é tão relevante que até deu curiosidade.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Como um gênero que também não costumo ler, não me animei muito, mas foi muito satisfatório me surpreender positivamente com a leitura.

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  2. Quando vi esse livro pela primeira vez, achei que era apenas um livro sobre um comediante e pronto. Mas felizmente o livro apresenta ainda de que forma mais leve e engraçado, fatos importantes como o racismo, ainda mais nessa época tão difícil do Apartheid!
    Com certeza, é um livro que se tiver oportunidade, quero muito conferir!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/O Vazio na flor

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    1. O livro tem questões imensamente importantes e uma facilidade enorme em nos cativar. Recomendo demais <3

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  3. Olá,
    Não sou de ler muito biografias, mas daria uma chance a esta.
    Conheço Trevor de ler sobre pelas redes, acho que o conteúdo é bem relevante.

    tenha uma ótima semana :D
    Nana - Canto Cultzíneo

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    1. Eu não conhecia o autor, mas agora estou acompanhando ele e adorando!

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  4. Oi, Leyanne como vai? Apesar de eu ler pouco livros de biografia, este aí me parece ótimo. Ótimo também ficou sua resenha. Adorei. Abraço!



    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    1. Também não costumo ler biografias, por isso fiquei surpresa por me apegar tanto a ele.

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  5. Oi Leyanne,
    Eu não gosto muito de biografias, não consigo me prender a elas, mas só ouço elogios a esta!
    Fico feliz que tenha sido uma boa experiência para você!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  6. Taí, eu acho que nunca li uma biografia... Uma bela dica para começar no gênero. Gostei bastante dos temas abordados e é bem interessante como ele ainda consegue tratar de maneira leve um assunto por si só pesado.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
    Pinterest | Instagram | Skoob

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  7. Oi Leyanne,

    Não conhecia o livro. Mas o tema e a história abordada são muito interessantes, acredito que é aquele tipo de livro que você sai com a mente mais aberta e com mais lições de vida.
    Dica anotada.

    Bjs
    https://diarioelivros.blogspot.com/

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  8. Oiii Leyanne

    Eu ainda não conhecia esse livro, adorei a narrativa, com seus momentos engraçados e trágicos, e o fato de ser biográfico, mas escrito em uma linguagem bem fácil e fluida também me agrada. Fiquei curiosa, assim como vc sei pouco do apartheid e seus efeitos, acho que traz uma reflexão interessante esse livro. Anotei a dica.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  9. Oioi, ta aí um tipo de livro que foge da minha zona de conforto...mas que fiquei bastante interessada em ler com a sua resenha!

    Beeijos

    http://estanteflordelis.blogspot.com

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