[RESENHA] Me Chame Pelo Seu Nome

9 de agosto de 2019

Olá Leitores!

Páginas: 288 |Editora: Intrínseca |Autor: André Aciman | Ano: 2018


A um ano li esse livro, e ele foi meu primeiro contato com a literatura LGBT. Achei fascinante. Na verdade até dos trechos com descrições casuais eu gostei. Deve ter sido a escrita poética que o autor utiliza, as comparações feitas em algumas situações, ou talvez tudo neste livro. Eu amei. Na primeira vez, li em apenas uma noite e agora que li novamente quis prolongar mais, para me demorar na leitura. Mas ainda acho que li rápido demais.


"Talvez fôssemos amigos em primeiro lugar e amantes em segundo."
A história de Elio e Oliver é primeiramente baseada em desejo. Elio tem apenas 17 anos, mora na Itália e sente um desejo ardente pelo mais novo hóspede da sua casa: um professor universitário americano de 24 anos. Oliver foi para Itália trabalhar em seu livro, já que o pai de Elio sempre desenvolve programas oferecendo espaço para novos escritores.

"Sei reconhecer o desejo - desta vez, no entanto, tinha passado completamente despercebido. Eu me saía com meu sorriso misterioso, que fazia o rosto dele se iluminar toda vez que lia meus pensamentos, mas tudo o que eu queria era pele, apenas pele."
O livro é narrado pela perspectiva de Elio, em primeira pessoa. Mas quem narra não é um protagonista de 17 anos, e sim um Elio mais velho, que conta uma história que já viveu, já sabendo o final, e também com muita nostalgia. Inevitavelmente senti uma carga de emoção enorme desde a primeira página, mas acho que isso contribuiu para eu gostar tanto do livro.

"Eu sabia que aquilo não ia durar muito e que, como acontece com todos os viciados, era fácil para mim negar o vício imediatamente após uma pretensa solução."
O romance de Elio e Oliver não é imediato. Elio fica cerca de 40% do livro desejando Oliver de maneira surreal. É isso mesmo. Pela forma de narração, Elio transmite seus anseios mais desesperados e carnais para tentar descrever sua paixão pelo outro. Mas o jovem é tímido e não demonstra isso para outras pessoas. Elio é o tipo de garoto que fica procurando por qualquer pista que revele que Oliver esteja interessado nele por simples que seja.

"Éramos apenas dois homens se beijando, e até isso pareceu se dissolver, me deixando com a sensação de que nem éramos dois homens, apenas dois seres."
Acho que eu não teria gostado desse livro se ele fosse narrado de forma direta. Gostei das voltas que os personagens deram e até mesmo da enrolação até finalmente darem uma chance ao romance. Como disse acima, a escrita é cheia de comparações e muito poética. A ambientação na Itália é muito bem descrita, com referências até mesmo de Dante e outros autores italianos.

"Eu sabia que nossos minutos eram contados; mas não ousava contá-los, assim como sabia  para onde tudo aquilo estava levando, mas não queria ler as placas."
A obra não é dividida por capítulos, e sim por partes, e isso talvez dificulte a leitura para algumas pessoas. Recentemente fiquei sabendo que terá uma sequência para Me Chame Pelo Seu Nome, e que será lançado pela Editora Intrínseca ainda este ano, e estou mais que pronta para ler. Este primeiro volume já foi ambientado para o cinema, o que espero assistir logo.

"De repente vi que nosso tempo era emprestado, que o tempo é sempre emprestado, e que a agência de crédito cobra a dívida exatamente quando estamos menos preparados para pagá-la e precisamos pegar mais emprestado."



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2 comentários:

  1. Olá, Leyanne.
    Eu já li alguns livros com personagens LGBT como protagonistas, mas até agora não consegui gostar de nenhum deles. Os autores tem a faca e o queijo na mão e infelizmente não conseguem dar brilhantismo aos seus personagens. Mas esse eu li bastante resenhas positivas mesmo. Se der vou ler ele.

    Prefácio

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    Respostas
    1. Espero sinceramente que goste, adorei a escrita do autor, é fluida e deliciosa.

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