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[RESENHA] Trilogia Daevabad: A Cidade de Cobre [livro #2]


Olá, leitores!


Páginas: 704 | Autora: S. A. Chakraborty | Editora: Morro Branco | Ano: 2020 | Gênero: Fantasia | Tradução: Mariana Kohnert | Classificação indicativa: +16


Esta resenha pode conter spoilers de A Cidade de Bronze
Leia a resenha de A Cidade de Bronze AQUI.

O segundo volume da trilogia Daevabad conseguiu me conquistar ainda mais que o anterior, e eu não imaginava que isso fosse possível. A fantasia, que se tornou uma das minhas favoritas, trouxe surpresas, revelações e acontecimentos que me abalaram. Nessa continuação, a história se passa cinco anos depois dos acontecimentos do livro anterior. Esse foi um salto que começou me surpreendendo, já que há uma instabilidade grande em Daevabad, então muita coisa poderia acontecer nesse período de tempo.


Daevabad tinha destruído todos que ali viviam, do rei tirano ao trabalhador shafit que espreitava no jardim dela. Medo e ódio dominavam a cidade - acumulados durante séculos de sangue derramado e os rancores resultantes deles. Era um lugar em que todos estavam tão ocupados tentando sobreviver e garantir que seus entes queridos sobrevivessem que não havia espaço para forjar uma nova confiança.

Aqui, os personagens principais estão dispersos, cada um sofrendo as consequências de suas escolhas, assim como de coisas que nunca fizeram. O livro também tem uma quantidade de páginas maior, mas como já havia gostado da escrita da autora, esse fato não me decepcionou, pelo contrário. Ter mais páginas significava que ficaria ainda mais envolvida com a história, o que era exatamente meu objetivo.


Desta vez, já conhecendo bem a história e consequências de guerras envolvendo tribos de djinns e Daevabad, o livro ganha novos ares, com ameaças ainda maiores. A rivalidade e tensão estão mais fortes, causando sofrimento naqueles que nos apegamos durante a leitura. Como comecei este segundo volume com novas informações adquiridas depois do desfecho de A Cidade de Bronze, ficou mais fácil compreender motivações, mas nem por isso consegui apoiar tais coisas.


O prenúncio de uma guerra está cada vez mais perto, e é possível ver armações por todos os lados. As tribos de djinns e os demais estão se preparando para algo maior, então é fácil prever um pouco do que estar por vir. Nahri, a protagonista em que grande parte da história é voltada, cria novas responsabilidades, e sua esperança de que as coisas melhorem se torna frágil. O desenvolvimento da personagem se torna ainda maior neste volume, quando ela cria laços dentro de Daevabad, e onde se torna não somente uma pessoa criada no mundo dos humanos, e sim alguém que consegue ver através da injustiça e lutar por quem precisa.



O esforço feito por ela para que as coisas melhorem é inspirador, e não deixou de me emocionar pela sua força de vontade. Outro personagem que passei a me apegar mais devido ao seu grande crescimento, foi Ali, outro protagonista, mas que não havia me conquistado de todo no volume anterior. De certa maneira, Ali amadurece, e seu passado tem uma grande influência pelo que está por vir, principalmente em relação aos acontecimentos finais de A Cidade de Bronze.


Quanto à Dara, um personagem de caráter duvidoso que carrega muito mais segredos, me deixou com sentimentos conflitantes. Foi uma surpresa agradável ver que neste segundo livro há vários capítulos sob a perspectiva dele, mas ao contrário do que imaginei, ele segue rumos totalmente controversos. Enquanto Nahri e Ali tentam, cada um a seu modo, lutar e proteger aqueles prejudicados por um governo tirano, Dara cria uma aliança que pode gerar um efeito negativo quanto a todo resto.


Dara. O deslumbrante guerreiro que tomara a mão dela no Cairo e a levara para uma terra lendária. Seu Afshin quebrado, levado à destruição pela política esmagadora da cidade que ele não pôde salvar.

A hipocrisia se torna bem mais evidente pelas justificativas das ações de alguns personagens, e isso me levou a refletir sobre novos pontos. Há muita dificuldade entre os djinns em aceitar pessoas mestiças em suas tribos, sejam pela aliança de tribos ou quando um djinn se relaciona com algum humano. Eles possuem princípios que consideram corretos, cada um à sua maneira, mas nem tudo é vantajoso para todos. O nível de hipocrisia que encontrei neste livro foi bem superior ao que imaginei, e me decepcionei bastante com alguns personagens.


Toda a construção da história permite que o leitor entenda as motivações dos personagens, porém uma coisa não justifica outra totalmente errada, especialmente se for para prejudicar o outro. É como uma paz disfarçada, ou um discurso de ódio mascarado em "boa" conduta. Outra coisa que me incomodou, foram os preconceitos de Dara, que aqui se tornam ainda mais fortes, mesmo tendo passado um período de tempo com Nahri e se livrado de alguns deles. Contudo, é esse preconceito que ele e mais alguns outros se apoiam para terem suas ações justificadas. Consigo entender perfeitamente sua linha de raciocínio, mas tem lutas aqui que não buscam igualdade, e sim uma prepotência e superioridade.


É assim que começa? Fora assim que Dara se desfizera, sua alma arrancada ao observar o massacre de sua família e sua tribo, sua mente e seu corpo forjados em uma arma pela fúria e pelo desespero? Seria assim que ele seria transformado em um monstro que mostraria aquela mesma violência a uma nova geração?

Embora ver que nem todas essas ações podem ser consideradas boas, a história e os milênios moldaram os djinns levando-os a acreditar em suas ações, consequentemente gerando mais mortes do que paz. Foram poucos os momentos felizes nesse livro, e me agarrei a cada um deles. Gostei da relação ainda mais forte de Ali e Nahri, assim como dessa vez consegui entender as motivações de cada um, principalmente as de Ali. A luta do personagem é longa, e é como se fossem apenas duas pessoas tentando lutar contra todo o ódio do mundo.


Sem dúvidas essa foi uma obra para ser refletida a cada parágrafo. Todos os acontecimentos aqui parecem gerar consequências em algo mais a frente, resultando em uma bola de neve gigantesca que pode explodir a qualquer momento. Para mim, este livro foi tão bom quanto o primeiro, se não melhor. Gostei tanto da obra que antes mesmo de iniciar eu já me perguntava o que faria se eu acabasse rápido demais, e mesmo já tendo finalizado, não sei a resposta para essa pergunta. O livro tem muito mais pautas sendo discutidas de forma magnífica, incluindo representatividade lgbtq+. Pela quantidade de discursos de ódio, não é uma leitura fácil, ela toca fácil em pontos delicados do coração do leitor, atingindo seu objetivo perfeitamente.


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8 comentários:

  1. Amei a capa desse livro e a abordagem da história. Ainda não o conhecia, mas fiquei curiosa para ler! <3

    www.kailagarcia.com

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  2. Oiii querida,
    Amei a resenha e fiquei encantada com o enredo do segundo livro. Não quis ler esse livro porque sempre imaginei que poderia me decepcionar com a leitura e tudo mais, mas vejo que além de uma historia perfeita ele tem uma estética linda. Já deixei anotado e pretendo ler o mais breve possível.

    Beijoss, Enjoy Books

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  3. Oi, Leyanne. Como vai? Que bom que gostou. Parece uma obra maravilhosa. Adorei sua resenha. Abraço!


    http://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  4. Oi Leyanne, tudo bem?
    Que maravilha que essa sequência não caiu na maldição do segundo livro. Ainda mais tendo mais páginas, o que em muitos casos acaba sendo enrolação! Só vitórias :D
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  5. Oi Leyanne,
    Eu sou APAIXONADA por essas capas e quando vejo um calhamaço desses, com tantos elogios, eu só penso em me jogar na história! Quero ler em breve!!!!!
    beeeijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  6. OIe Leyanne!
    Eu não conhecia essa saga, porém as capas são MARAVILHOSAS e me senti exatamente como voce lendo Corrente de Ouro: não queria ler rapido demais, queria curtir a leitura
    e se traz pontos sensíveis mas que são importantes... Nossa, são as melhores obras, né? Adorei a dica e a resenha!

    Beijos!
    Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  7. oi, tudo bem?
    É tão bom quando os livros da série são bons e um é melhor do que o outro. Parece ter sido uma leitura intensa e cheia de reflexão e aventura. Gostei bastante da resenha e preciso dizer que adorei a capa. Vou ler sim se tiver a oportunidade

    beijos

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  8. Eu não conhecia esse segundo volume, mas gostei bastante que a sequência se manteve tão boa quanto o começo da estória. Pela sua resenha, acho que me incomodaria nos mesmos pontos, mas ainda assim, leria numa boa. =)
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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