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[RESENHA] A Terceira Vida de Grange Copeland

 

Olá, leitores!


Páginas: 335 | Autora: Alice Walker | Editora: José Olympio | Ano: 2020 | Gênero: Drama | Tradução: Carol Simmer e Marina Vargas


Não há palavras capazes de descrever exatamente o que essa leitura me fez sentir. Com um enredo relatando vidas corriqueiras da  década de 1950 nos EUA, os personagens são negros em uma época em que a segregação racial estava em peso.


A Terceira Vida de Grange Copeland é o primeiro romance de Alice Walker, a mesma autora de A Cor Púrpura. Não cheguei a ler seu livro de maior sucesso, mas logo me interessei por esse aqui, por trazer uma história que poderia me fazer refletir. O livro me tirou da zona de conforto e me proporcionou muito o que pensar.


Grange carrega o título do livro, mas a história não é somente dele. Ela inicia sob o ponto de vista Brownfield, filho de Grange. Ele ainda é uma criança e vemos um Grange, seu pai, de maneira distante, mas negligenciando sua esposa e filho. A falta de praticamente tudo na família é um dos grandes problemas que eles vivenciam, juntamente com a falta de esperança.


Eles moram em um lugar pacato, no sul da Georgia, longe das grandes cidades, onde a oportunidade de uma vida melhor é quase inexistente, e o trabalho é braçal em troca de tão pouco que quase não dá para sobreviver. Os personagens eram praticamente proibidos de terem algo melhor, sendo sempre comandados por brancos. O racismo, neste livro, é um pauta sempre presente, com lições extensas para aprendermos.


Disseram que o pai dele trabalhava para um branco e que o branco era dono dele.


Brownfield é apenas uma criança quando seu pai resolve sair de casa. A partir daí, a vida dele, ainda um garoto, muda drasticamente. O que ele se torna não é justificável, porém se dá em grande parte pelo modo de vida que vem sendo relatado e pela falta de algo melhor.


O que acontece ao longo das páginas, é uma reação em cadeia, resultado de vários fatores. A época não é favorável para os personagens e a autora nos apresenta uma história dolorosa, com dilemas e problemas que ainda precisamos trabalhar. Alice Walker molda várias vidas envolta de uma única, que é a de Grange.



Perto dali, ainda existiam, para ele, pelo menos as sombras de uma primeira vida. Ele estava na terceira ou quarta, e última.


Com base nas escolhas iniciais de Grange, outras virão a tona e nem sempre serão boas. Vários personagens além dele fazem parte da história, como grande parte do livro é dedicada a Brownfied, sua esposa e também a sua filha Ruth. Os personagens secundários ganham bastante destaque, de forma que todos acabam mostrando o resultado de caminhos malsucedidos e a luta por esperança.


Como a mulher também não era valorizada na época, várias figuras femininas permeiam a obra para mostrar como era essa realidade, especialmente se tratando de uma mulher negra. A falta de escolhas e a vivência retrata a submissão a que eram submetidas pelos maridos. Na maioria das vezes, essa submissão vinha em troca de maus tratos para mostrar onde pertenciam.


Ele gostava de jogar na cara dela a perfeição das mulheres brancas porque a cor era algo que ela não podia mudar e, como sua própria pele negra o incomodava, queria que a dela a rebaixasse.


Como mulher, não é fácil ler a obra sem sentir várias emoções. Quão desastroso é conhecer retratos de vidas que foram submetidas a quase nada devido as poucas oportunidades. Tão difícil quanto necessário compreender que o ser humano ainda precisa aprender com o passado para que tais atitudes não se repitam.


O livro foi publicado em sua língua original em 1970 e tem uma escrita rápida e fácil para acompanharmos. Os personagens tem uma forma de falar mais simplista, como era comum para pessoas retratadas da época, por isso, durante a leitura, é frequente encontrarmos erros ortográficos que são fáceis de identificar, porém são propositais. Dessa forma, a ambientação fica ainda mais perto para imaginarmos o relato.


Mesmo que não leia dramas frequentemente, o livro cumpriu seu objetivo em me manter presa na história, mesmo quando eu estranhei de início. Ainda não consigo para de pensar em todos os acontecimentos, reações e até mesmo no final com que me deparei.


Por fim, não acho que essa seja uma história corriqueira que esquecemos ao longo do tempo. Pelo contrário, acho que sempre irei lembrar de pedaços dela para levar sempre comigo. É fácil recomendar essa obra, principalmente para pessoas que gostam histórias assim, e agora que conheci a escrita da autora, também pretendo ler A Cor Púrpura.


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13 comentários:

  1. Ei, Leyanne, rudo jóia? Eu ainda não conhecia o livro e nem a autora. Mas esse livro parece realmente proporcionar momentos de reflexão e trazer lições que provavelmente vão perdurar durante toda a vida do leitor. Além dele aparentemente mostrar uma versão nua e crua do racismo, o que muita gente precisa ver, para compreender o quão cruel é. Hoje eu só vou passar a leitura porque eu acho que trás uma carga emocional muito grande e eu tô correndo um pouco disso. Mas vou deixar a dica anotada para futuramente, beijo!



    Books House

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    1. Eu sou exatamente assim quando não estou no clima. É melhor passar a leitura por enquanto e ler quando estiver bem.

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  2. Oi Leyanne,
    Não conhecia a obra, mas UAU, realmente parece ser do tipo que te marca!
    Conheço a autora de A Cor Púrpura, que por sinal, está na minha lista de desejados. Tomara que eu goste tanto quanto você, estou empolgada!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    1. A cor Púrpura já está na lista de desejados depois de gostar tanto desse.

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  3. Aquele tipo de livro que deveria ser obrigatório a todos nós, que principalmente neste ano, tomamos uma luta para nós e isso é maravilhoso que tenha acontecido, mesmo que sim, tenha trazido dor demais.
    A gente descobriu o pior do ser humano, mas também aprendeu que temos uma luta pela frente e nunca mais nos calaremos diante do racismo e preconceito!!
    Quero muito ler!!!!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na Flor

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    1. É tão importante que essas leituras sejam mais vistas. Esse ano foi marcado por perdas devido ao racismo, e é necessário mudarmos isso.

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  4. Oi Leyanne, tudo bem?
    Imagino o quão dolorida seja essa história. Os EUA ainda hoje colhem os frutos podres de toda a segregação racial causada, e ler algo focado nisso deve ser tenso. :(
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Bastante. Aos poucos venho conhecendo mais sobre isso.

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  5. Oi, Leyanne. Como vai? Eu li Cor Púrpura da autora e gostei bastante. Este aí eu não li, mas já fiquei interessado em lê-lo. Que bom que gostou da leitura, embora não esteja habituada com livros deste tipo. Adorei as fotos. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    1. Vejo bastante elogios sobre A Cor Púrpura e pretendo ler. Obrigada <3!!

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  6. Ola tudo bem? Minha primeira visita aqui rs
    Eu ja li a Cor Púrpura e acho que senti exatamente o que vc descreveu na resenha.
    De acordo com a Resenha é um livro que vc tem que estar preparado pra ler ne rs? Profundo até!!
    Boa dica

    Beijo
    Sara
    Todas as Coisas

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    1. Olá, bem vinda!! Pretendo ler A Cor Púrpura também. É exatamente isso, recomendo bastante que esteja preparado, é um enredo bem denso.

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  7. Oi!

    Esse livro parece tenso. Acho que tenho que estar muito inspirada para ler esse. O bom dos acontecimentos em reação em cadeia é que prende a gente com força na leitura. Vou procurar saber um pouco mais sobre o livro.

    Até!

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