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[RESENHA] Matadouro Cinco


Olá Leitores!


Páginas: 288 | Autor: Kurt Vonnegut | Editora: Intrínseca | Ano: 2019 | Gênero: Fantasia, Horror e Ficção Científica | Tradução: Daniel Pellizzari

Tudo isso aconteceu, ou quase. As partes da guerra, pelo menos, são bem verdadeiras.

Já tinha ouvido muitas maravilhas relacionadas a Kurt Vonnegut mas nunca tinha lido nada desse autor tão elogiado, o que só fazia a curiosidade que eu tinha com relação a suas obras aumentar a cada comentário positivo que eu lia, então já estava babando por Matadouro-Cinco antes mesmo dele chegar aqui na minha casa e apesar de ao meu ver ser uma leitura relativamente simples mesmo contendo diversas críticas enraizadas nela, a leitura foi melhor do que eu esperava. Como acabo me empolgando nas resenhas de livros que me surpreenderam de forma positiva, vou tentar não transformar essa em um manuscrito gigante.

Foi então que entendi. Era a guerra que a deixava furiosa. Ela não queria que seus bebês, nem os bebês de ninguém, fossem mortos em guerras. E achava que  as guerras eram, em parte, estimuladas por livros e filmes.

Para quem é fã do gênero de ficção-científica, tanto o autor quanto esse livro em si já devem ser bem conhecidos já que o mesmo é considerado um dos grandes clássicos do gênero. Aqui temos Billy Pilgrim como protagonista. Antes de continuar a resenha sobre esse protagonista que nada mais é do que um cara comum que passa por vários acontecimentos em uma guerra, vale lembrar que o próprio autor, Kurt Vonnegut foi um prisioneiro sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, portanto muito do que viveu foi trazido para essa obra, o que ajuda a deixar tudo ainda mais realista. 

Quando eu li que havia vivenciado uma guerra e que misturou da sua experiência com sci-fi, não nego que esperava algo como o livro Guerra Sem Fim, onde o autor havia lutado no Vietnã (acho que foi essa guerra, se não me falha a memória) mas os dois livros não tem nada a ver um com o outro. Matadouro-Cinco narra uma história não linear, cheia de idas e vindas, com muito sangue e mortes. 

O livro é tão curto, tão confuso, tão desarmônico, Sam, porque nada de inteligente pode ser dito sobre um massacre. Todos devem estar mortos, sem nunca mais dizer ou querer nada. Tudo deve ser muito quieto depois de um massacre, e sempre é, exceto pelos passarinhos.

Logo no primeiro capítulo o autor comenta sobre a sua vontade de escrever sobre a guerra sem endeusar a mesma como a mídia faz já que ela nada mais é do que um matadouro, um massacre onde as vítimas não possuem voz.

Billy Pilgrim, o protagonista, esteve no exército, era optometrista e passou por algumas abduções alienígenas. No começo, cheguei a pensar que ele estava senil mas a história vai se desenvolvendo e Billy mostra que há muito mais além disso. Não estava familiarizada com a escrita do autor mas achei ela bem direta, sem floreios, então é um tipo de livro que você acaba lendo bem rápido. 

Billy ainda era um jovem quando vivenciou os horrores da guerra, um inocente como vários outros que estavam ali e nem ao menos entendiam o que estava acontecendo em meio aos horrores sanguinários da guerra. Mas ele sobrevive, claro. Quando é jogado de volta para a sociedade, de início ele não se adapta muito bem. Surta mas logo volta ao "normal" mesmo não esquecendo de nada do que vivenciou. O que difere Billyde outros sobreviventes de guerras é que ele consegue viajar no tempo e é no meio dessa jornada que transita entre passado e futuro, com abduções alienígenas e uma linha do tempo narrativa não linear é que a história é contada. 

Agora, quando fico sabendo que alguém morreu, dou de ombros e digo a mesma coisa que os tralfamadorianos dizem sobre os mortos, que é o seguinte: 'é assim mesmo.'

As críticas do autor sobre a guerra são bem claras e diretas, sua opinião é ácida, afinal não vê sentido em crianças serem mandadas para tal cenário sangrento e isso te faz refletir muito. Outros momentos que fazem o leitor parar um pouco para refletir são os diálogos entre Billy e os alienígenas chamados de Tralfamadorianos, que tem uma visão no mínimo interessante sobre a vida.

Como a intenção de Kurt era de não romantizar a guerra em nenhum momento, mostrando ao leitor o que ela realmente é, apesar dos toques fantasiosos que inseriu na narrativa, o livro talvez choque ou incomode alguns leitores já que não faz questão de amenizar a violência da guerra. Mas ainda sim, é uma leitura mais do que válida, cheia de sarcasmo, uma obra-prima que me deixou querendo conhecer mais obras do autor. 

Entre as coisas que Billy Pilgrim não podia mudar estavam o passado, o presente e o futuro.

É assim mesmo.



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22 comentários:

  1. Oi Larissa, tudo bem? Eu nunca li nada do autor, mas achei a premissa sensacional com o alienígena e viagem no tempo!! Fiquei bastante interessada!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Também achei a premissa bem diferente e a proposta instiga, não é?

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  2. I read you very first time. Love these so much.
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  3. Oi, Larissa. Como vai? Parece-me uma obra incrível não é mesmo! Fiquei com vontade de lê-lo, pois gosto bastante do gênero. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    1. Para fãs de ficção, esse livro é um prato cheio. Espero que curta a leitura!

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  4. Essa obra parece incrível. Curto bastante o gênero e preciso dar uma chance a esse livro.

    Beijo!
    Cores do Vício

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    1. Se curte o gênero, é uma chance ainda maior de gostar!!

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  5. Oi Larissa,

    Não conhecia a obra, mas a premissa é bem interessante.
    Dica anotada pro aqui rs.

    Bjs
    https://diarioelivros.blogspot.com/

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    1. Que bom que gostou! Espero que tenha a chance de lê-lo.

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  6. Oii! :)
    Não conhecia o autor e a obra, mas parecey ser um livro bem interessante. Não é bem o meu tipo de leitura favorito, mas esse ano tenho dado chances a novos gêneros. Vou deixar anotado aqui e quem sabe em 2021 não posso incluir na minha lista! :)


    Beijos
    www.ventodoleste.com.br

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    1. Eu super entendo e eventualmente também gosto de dar uma chance para novos livros.

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  7. Olá, Larissa.
    Eu me aventuro de vez em quando no gênero, mas não é um que eu goste muito. E geralmente prefiro esses mais contemporâneos porque esses mais clássicos nunca me dou bem hehe.

    Prefácio

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    1. Entendo bem haha. A linguagem é o que mais me complica.

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  8. Oi, Larissa! Tudo bom?
    Eu amo um bom scifi e tenho muuuuita vontade de ler esse. Combinação capa + premissa são muito atraentes, mas tô numa contenção de gastos então nem vou me tentar a olhar preço pra não passar vontade ç_ç

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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    1. Haha há promoções constantemente que valem a pena conferir.

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  9. Gostei bastante do artigo, muito bom mesmo! Estou amando ler seus artigos e compartilhar com os amigos!


    Meu Blog: Ganhadores do Tri Legal

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  10. Gente, eu to chocada no autor realmente prisioneiro de guerra. Então deve ser uma história um tanto pessoal, hein... e que bom que ele não romantizou nada, ainda mais pelo que viveu.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Talvez por isso que tenha um tom mais pesado. Fiquei chocada quando descobri isso também.

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  11. Oi!

    Nossa, esse livro juntou uma coisa sobre a qual não gosto de ler com outra coisa que adoro. Agora não sei se vou ler. Não goto de ler sobre certo tipo de guerra (primeira ou segunda guerra mundial, que é diferente das guerras antigas entre reinos - seja de fantasia ou não). Mas amo tudo que tem ETs...rsrsrs. Oh dilema!

    Até!
    https://nsmoraes.com.br/

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    1. Haha foi uma mistura que pode ou não lhe agradar. Quem sabe um dia você dê uma chance.

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  12. Eitcha, que coisa mais louca esse livro... Nunca tinha lido nada do autor, mas já gostei só pela mistura que ele faz! kkk
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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