[RESENHA] O Diário de Nisha

26 de agosto de 2019

Olá Leitores!

Páginas: 288 |Editora: Darkside |Autor: Veera Hiranandani | Ano: 2019


Nunca li nada que se passava na Índia, e muito menos algo que se passava nos tempos de guerra no país. Por isso achei que iria me encantar lendo O Diário de Nisha. Fiquei absorta nas páginas e entrei em um dilema entre não querer acabar e querer saber urgentemente o que aconteceria no final.

O livro é para ser literalmente um diário da personagem Nisha. Ela ganha ele em seu aniversário de 12 anos em 1947 e dedica tudo o que escreve à sua mãe, que faleceu quando ela e seu irmão gêmeo nasceram. Não sabemos nada o que se passa na história por outros olhos além dos de Nisha.

"Penso nos livros de medicina do papai e em como todos temos o mesmo sangue, órgãos e ossos dentro do corpo, qualquer que seja a religião de cada um."
Em 1947 a Índia, na vida real, era um país enorme, até que o lugar ganha finalmente a independência do governo britânico. Devido a isso, e também devido a quantidade enorme de religiões que conviviam entre si, iniciou-se uma divergência de opiniões entre os grandes líderes e assim eles decidiram separar a Índia em dois países.

"Ainda é esquisito dizer que o solo em que meus pés doloridos pisam não é mais a Índia, mas um lugar chamado Paquistão."
Assim se iniciou uma guerra interna entre religiões. O novo país criado se chama Paquistão e é morada dos muçulmanos, enquanto na Índia, predomina a religião Hindu. Aproveitando a situação do país nessa época, a autora construiu a história de Nisha em cima disso. Claro que tudo ficou magnífico. Nisha e sua família moram do lado da Índia que foi recentemente nomeada Paquistão e como são Hindus, precisam migrar para a nova índia.

"Ainda não entendo. No mês passado éramos todos parte do mesmo país, todas essas pessoas e religiões diferentes vivendo juntas. Agora temos que nos separar e odiar uns aos outros."
Mas tudo isso poderia ser pacífico, a mudança, o novo país, a divergência entre as religiões, tudo isso poderia ser tratado sem violência, isso é o que Nisha pensa e também é a maneira mais óbvia de tratar a situação. Porém a guerra explode e os devotos, que até um tempo atrás conviviam tranquilamente entre si, agora se odeiam.

"Todo mundo culpa o outro. Hindus, muçulmanos, sikhs, todos fizeram coisas horríveis. Mas o que eu fiz?"
Tudo isso é contado pelos olhos de uma criança e com uma estranheza enorme. Nós, adultos, temos uma noção do que seja uma guerra, mas imagine como foi para Nisha entender isso, como ela foi obrigada a aceitar que deveria odiar seus vizinhos simplesmente por serem de uma religião diferente da sua.

"Nehru, Jinnah, Índia e Paquistão, os homens que lutam e matam... Vocês não podem nos separar. Não podem apartar o amor."
A inocência de Nisha foi proposital e contribuiu para uma melhor noção dos  motivos para justificar uma guerra. Com certeza Nisha e sua família ficaram marcadas para sempre. A trajetória deles para fugir de todo conflito é de partir o coração e me fez pensar em quantos inocentes sofreram simplesmente por estarem do lado errado da fronteira.

"Nunca entenderei, enquanto viver, como um país pode mudar tanto da noite para o dia a partir de uma única linha divisória."
O livro levanta questionamentos a respeito do ser humano, pelos olhos de Nisha, que também me fizeram refletir bastante. Como o verdadeiro significado de servir a uma religião, que prega noções distorcidas pelo ódio ao invés de semear o amor. Nisha e seu irmão são mestiços, filhos do pai Hindu e mãe Muçulmana, e ela se considera parte das duas religiões e se pergunta diversas o que aconteceria com ela se descobrissem isso.

"Talvez seja difícil nos amar agora. É como a Índia: um novo país nasceu, mas meu lar estava morrendo."
Pelo diário de Nisha aprendemos muito mais do que podemos imaginar. São poucas páginas, mas carregadas de palavras escritas pela inocência marcada pela guerra. Também preciso falar da edição do livro, é incontestável que a editora se empenhou em transformar o livro em um verdadeiro diário personalizado na cultura indiana. Os traços estão impecáveis e enquanto lia, parecia que estava viajando pela Índia, tamanha perfeição.

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6 comentários:

  1. Oi, Leyanne!
    Achei diferente a proposta do livro. Também nunca li nada que se passa na Índia, muito menos durante a guerra. Fiquei curiosa com os acontecimentos.

    Beijos
    Construindo Estante || Promoção de aniversário do blog

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    1. Vale muito a pena, as questões que citei são bem trabalhadas e a história é linda!

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  2. Eu vi esse livro passando pelas postagens da editora no instagram mas acredita que não dava nada por ele? Conseguiram pegar um pouco de Anne Frank, com todo aquele contexto de guerra e da mesma narrada pelos olhos inocentes de uma criança e levaram para a Índia. Meu ponto de vista sobre o livro mudou totalmente agora. Sinto que iria amar se o lesse.

    Abraço,
    Parágrafo Cult ♥

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    1. Que ótimo! Também tinha uma impressão de que o livro seria maçante e que não valeria a pena ler, mas tudo nele me conquistou e recomendo muito a leitura.

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  3. Oi Leyanne, que lindo livro, nunca tinha ouvido falar!
    Adorei essa edição da Darkside, fiquei encantada e adoro livros que abordam outras culturas, irei colocar na lista de desejados.
    Só faltou umas fotos da edição para babarmos mais ainda...

    Beijinho Mila

    Daily of Books Mila

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    1. HAhah, espero que goste tanto quanto eu! Minha vontade era encher vocês de fotos desse livro sensacional ♥️

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