[RESENHA] As Crônicas Vampirescas: Entrevista com o Vampiro [LIVRO #1]

1 de novembro de 2019


Olá Leitores!

Páginas: 312 | Editora: Rocco | Autor: Anne Rice | Ano: 1991

As "Crônicas Vampirescas" são um clássico obrigatório para os fãs do gênero vampiro e se tornaram um grande sucesso principalmente nos anos 90 quando o livro Entrevista com o Vampiro ganhou uma adaptação para os cinemas, sendo estrelado por Tom Cruise no papel de Lestat, Brad Pitt como Louis, Kirsten Dunst como Cláudia e Antônio Banderas como Armand. 

Todo esse elenco de peso contribuiu não só para a fama e sucesso da obra cinematográfica como ajudou a alavancar ainda mais a popularidade dos livros que são de extrema qualidade. O livro foi lançado originalmente em 1976 e hoje em dia conta com em torno de 13 livros, tendo como o personagem principal um vampiro chamado Lestat.

 - O mal é um ponto de vista - sussurrava agora. - Somos imortais. E o que temos a nossa frente são os ricos festins que a consciência não pode julgar e que os homens mortais não podem conhecer sem culpa. 

Porém esse livro em específico não é narrado por ele e sim pelo personagem Louis de Point du Lac, um vampiro melancólico que decide conceder uma entrevista ao jovem repórter Daniel. Antes mesmo de ser transformado, Louis sempre fora um jovem reservado, preocupado com sua família e apesar de sua fortuna, cuidadoso com seu dinheiro.
Até que um dia, um vampiro charmoso e misterioso bebe de seu sangue, mudando para sempre a sua existência. Esse homem de pele clara e longos cabelos dourados era Lestat de Lioncourt, o grande anti-herói - ou vilão, pelos olhos de Louis. Juntos, os dois passam a compartilhar uma existência de amor-ódio onde Lestat tenta transformar Louis em um verdadeiro vampiro predador, querendo que ele se livre das correntes que o prendem a sua mortalidade, já que ele se mostra extremamente desgostoso em ter que matar qualquer criatura para ter que sobreviver e Louis que nutre raiva de Lestar por tê-lo dado uma vida que ao seu ver, era condenada, infernal.

 Qual o significado da morte quando se vive até o fim do mundo?

Ao primeiro momento, nos é mostrado que Lestat apenas transformara Louis para poder usar de seu dinheiro para bancar seus luxos e cuidar de seu pai, que ainda estava vivo apesar da idade extremamente avançada. Os dois trocam insultos mas é clara a preocupação de Lestat com o seu pai.
A culpa pela morte do irmão persegue Louis o tempo inteiro durante a sua narrativa. Ele carrega esse fardo consigo mesmo após mais de duzentos anos como vampiro, mesmo com Lestat tentando convencê-lo a abandonar tudo e viver como ele.

Precisamos conviver com o conhecimento de que não há conhecimento.

O livro todo é narrado em primeira pessoa por Louis que conversa calmamente com o repórter fascinado pela história que lhe é contada. Poucos momentos o jovem interrompe o vampiro a sua frente para fazer um comentário. Então a leitura se torna fácil e fluída. Porém sendo Louis um personagem extremamente melancólico, tenho que dizer que me arrastei muito pelas primeiras cem páginas do livro. Comecei o livro achando Lestat um personagem interesseiro e mimado que queria apenas se aproveitar da riqueza de Louis e que o desejava como um escravo porém terminei a obra amando o personagem e detestando Louis que passa todo o livro se lamentando e se afogando na autopiedade.
Mas como ia dizendo, após as primeiras cem páginas, uma nova personagem é inserida na trama que a faz dar uma enorme guinada: Cláudia. Em uma tentativa de evitar que Louis, farto de seu comportamento, o abandonasse, Lestat transforma uma garotinha de cinco anos em vampira. Ela era uma das vítimas de Louis e por conta disso, o outro vampiro acaba por ficar e juntos eles a criam como uma filha.

Suguei a beleza do mundo como um vampiro. Ficava satisfeito. Enchia-me até a borda. Mas estava morto. E era imutável. 

Sim, todo o livro é narrado em um tom homoerótico. Não temos cenas hot, nem ao menos um beijo entre os personagens mas é notável a tensão sexual presente ali. Ou é a minha mente moldada por animes yaois que foi responsável por essa conclusão que tive, não acho que seja o caso aqui. Mas os dois não são um casal.
Cláudia é então criada pelos dois: Lestat a ensina a matar, seguir seus instintos e ser indomável mas Louis com toda a sua sensibilidade, a ensina a sentir, amar. Os anos se passam e apesar de permanecer com a aparência infantil, Cláudia se torna uma mulher com pensamentos de mulher. Uma vampira que se apaixona por Louis que a ama como filha, o que a deixa extremamente rancorosa com Lestat já que o culpa por transformá-la ainda criança, se sentindo prisioneira daquela forma.
Com uma personalidade forte, Cláudia muda completamente a vida dos dois e é aí que a história fica realmente impossível de largar. Falo isso porque abandonei a leitura na página 50 por mais de dois meses, e quando finalmente decidi retomar de onde parei, assim que a personagem surgiu, o terminei em menos de dois dias.

Por que precisa nos transformar em deuses e diabos quando o único poder que existe está dentro de nós?

O livro é uma obra-prima do gênero vampiresco, com muitos outros personagens interessantes, como Armand e foge completamente do estilo mais juvenil dos vampiros mais populares do momento. A atmosfera gótica que envolve toda a trama também é maravilhosa. Foi diferente de tudo o que li e valeu a pena cada momento. A minha sorte foi que a sequência chamada de O Vampiro Lestat já estava comprada e por isso a leitura vai continuar.


Comente com o Facebook:

3 comentários:

  1. Oi Ley.
    Ainda não li esse livro e tenho minhas dúvidas se já vi ou se estou confundindo.
    Enfim, adorei sua resenha. Fiquei curiosa com as peculiaridades da narrativa. Achei genial a ideia da construção dos personagens.
    Beijos.
    Blog: Fantástica Ficção

    ResponderExcluir
  2. Oi Larissa, nunca tinha lido uma resenha deste livro, o que eu conhecia era o que eu assisti no filme. Então, acho que minha leitura seria como a sua, um pouco arrasta no começo né.. então não sei se leria este livro no momento..

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

    ResponderExcluir
  3. Olá, Larissa.
    Eu li nessa época do filme hehe. E li todos os livros da autora que tinha na biblioteca na época. E gostei bastante. Mas acho que se tivesse lido hoje a sensação não seria a mesma, porque hoje já não sou tão fã de livros assim.

    Prefácio

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.